A saúde como um estado do corpo e da alma…

Ao longo destes quase 30 anos de professor de fisiologia cada vez vou percebendo mais que a saúde é uma entidade tão complexa que relativiza-la ao colesterol, pressão arterial ou ao raio- X pulmonar é, de facto, muito pouco. “Há muito mais vida” para além das análises, dos TACs ou das ressonâncias. São importantes e indispensáveis, mas não são os únicos critérios. Vejamos alguns conceitos bem mais genéricos sobre saúde e bem-estar.

1. A saúde e o bem-estar é um caminho que se vai percorrendo. “Ser” ou “estar” saudável é uma negação da própria vida. Eu não “estou”, eu vou “estando”, isto é, a procura de uma vida mais plena, mais agradável, mais preenchida é feita de pequenos passos que se vão dando neste percurso que é feito de escolhas. Pequenas decisões, tomadas passo a passo e que vão alimentando as diferentes dimensões da saúde.

2. Equilibre a sua vida pessoal e profissional. Tenho alguma experiência de trabalhar com quadros de topo de diversas empresas treinando-os a gerirem a sua energia em detrimento do tempo. Este meu contacto com as empresas fez-me perceber que muitas destas pessoas, especialmente as que têm cargos de maior responsabilidade, vivem de tal forma absorvidas pelo trabalho que esquecem completamente a sua vida pessoal. Isso acaba por se pagar muito caro. Seja na vida pessoal que começa a ressentir-se, seja na vida da empresa que fica, obviamente, afectada pela pessoa não se sentir bem consigo nem com os outros. Este aspecto que é conhecido pelo jargão anglo-saxónico de “work/life balance” (equilíbrio trabalho/vida) é, de resto, um dos factores que mais contribuem para a diminuição da produtividade, para o mal-estar dos colaboradores e para o abandono precoce nas organizações.

3. Tente tratar da sua “energia física” de forma adequada. Isto é, alimente-se correctamente, faça refeições esquecendo um pouco o micro-ondas ou os congelados… Mexa-se, faça exercício, não se deixe “envelhecer precocemente”. O que lhe interessa os PPRs se não vai ter “vida” para os viver? Se tem família, cultive as refeições como momentos para alimentar o corpo mas também a alma. A TV pode esperar. Jante com tempo e de forma relaxada. Aproveite para por a conversa em dia.

4. Sei que este inverno tem estado particularmente rigoroso, mas tente apanhar sol e sair de casa. Todos nós temos vindo a perceber que o sol é decisivo não só para o nosso bem-estar físico como psicológico. Físico porque o sol é decisivo para, por exemplo, sintetizarmos vitamina D que se sabe ser decisiva para a funcionalidade orgânica. Sabia que estudos recentes têm demonstrado uma carência preocupante de vitamina D em crianças e adultos e que isso pode ter reflexos profundos na saúde, seja dos mais novos ou mais velhos? Por outro lado, o sol ajuda a produzir algumas hormonas e neurotransmissores que são decisivos para a sensação de bem-estar. Por isso, as pessoas muito tempo privadas de luz solar têm um risco significativamente mais elevado de depressão e suicídio. Saia de casa. Apanhe sol.

5. Vá verificando se não está a ficar muito negativo, pessimista e irritado. Se tem essa sensação é sinal que algo vai mal. Tente encontrar a origem para essas sensações (o trabalho, a família, os amigos, etc.) e não fuja. Tente resolver. Encare de frente os problemas. Não só tem mais possibilidades de os resolver se os enfrentar como vai sentir-se recompensado pelo resultado. E o nosso cérebro “gosta” particularmente de ser recompensado. Faça uma auto análise rápida e responda às seguintes questões:

– Como me sinto?

– Do que estou a precisar?

– O que tenho e o que realmente me faz falta?

– Para onde quero ir?

Responda até por escrito. Vai ver que com este diagnóstico simples poderá dar passos mais seguros para se sentir cada vez mais saudável não apenas nas análises ao sangue…

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