Algumas razões para envelhecermos… E o que podemos fazer?

Existem diferentes razões para o nosso envelhecimento. Umas relacionadas com a nossa biologia, isto é, com a degenerescência dos nossos órgãos, tecidos, células, e outras mais directamente implicadas com o meio ambiente. Ou seja, digamos que os nossos genes têm uma determinada programação para irmos envelhecendo ao “nosso” próprio ritmo e o que a ciência tenta fazer é “retardar” o mais possível esse caminho, prolongando a vida e tornando-a o melhor possível. Vejamos alguns factores decisivos neste percurso…

1. A importância dos nossos genes. Sabemos que não podemos modificar (ainda bem…) os nosso genes mas podemos controlar a forma como eles se expressam. Uma das estruturas que têm uma importância especial no nosso envelhecimento são os telómeros. Gosta de comparar os telómeros a um cordão (a um atacador, para os lisboetas) de um sapato que, se não tiver aquela protecção plástica nas pontas, se vai desfazendo com o tempo e o cordão vai ficando mais curto. É isto que vai acontecendo, de facto, aos telómeros. Este “desfiar” do tecido implica, por exemplo, a perda de regeneração celular e, entre diferentes outras consequências, sabe-se estar ligado aos problemas relacionados com a memória.

O QUE PODEMOS FAZER: gerir o stress (exercício, meditação, ioga, pilates, o que lhe for mais agradável…), exercitar a sua memória com jogos mais relacionados com o cálculo e também  com orientação espacial, e… exercício regular. Já falei nos 2 artigos anteriores sobre o efeito da actividade física em doenças associadas ao envelhecimento cerebral. Presumo que estamos todos convencidos e de acordo sobre as alterações extremamente positivas do treino físico na função cognitiva.

2. Stress oxidativo. Já todos ouvimos falar deste assunto. Quanto mais não seja, porque já quase não há cremes contra as rugas que não incluam na embalagem a frase: “creme protector contra o stress oxidativo”…  De forma simples, diria que quando respiramos, cerca de 2% do oxigénio que consumimos, “transforma-se” em moléculas altamente reactivas que têm diferentes efeitos de entre os quais se salientam o envelhecimento e o desenvolvimento tumoral. Aceito que o leitor esteja, de imediato, a pensar: mas se eu quando faço exercício consumo mais oxigénio então produzo mais radicais livres de oxigénio, ou stress oxidativo (é mais ou menos a mesma coisa). Se pensa assim pensa bem. Só que, simultaneamente com a produção aumentada, ocorre também uma resposta do organismo para aumentar a eficiências das “baterias anti-oxidantes” que neutralizam esse aumento de agressão. Digamos então, que o organismo de uma pessoa que faz exercício ou desporto regularmente tem uma protecção acrescida ao stress oxidativo quando comparado com o de um sedentário. Verdade! Há, no entanto, situações que quando o treino é tão intenso os atletas acabam por ter de tomar suplementos que ajudam neste combate aos radicais livres de oxigénio – anti-oxidantes. O selénio, o zinco, a vitamina E e a vitamina C são alguns desses suplementos que reforçam as nossas defesas contra estes agentes agressores.

Com o envelhecimento, essa protecção vai ficando mais enfraquecida e os “radicais” começam a ganhar a luta… E, por isso, se diz que à medida que a idade vai avançando vamos aumentando, por exemplo, a probabilidade de desenvolver doenças oncológicas. Para além deste efeito mais severo, os radicais livres também afectam, e muito, as nossas artérias tornando-as mais susceptíveis a doenças cardiovasvulares.

O QUE PODEMOS FAZER. Alimentarmo-nos bem, isto é, comer de forma diversificada e ter uma atenção redobrada aos alimentos que são ricos em anti-oxidantes (cenoura, limões, laranjas, tangerinas, uvas, brócolos, tomate, frutos secos, etc.). Uma sugestão: tente colocar no prato todas as cores possíveis…! Garante, desta forma, uma variedade de frutas e legumes que, normalmente, são excelentes para a nossa saúde em geral e para o stress oxidativo, em particular.Para além da alimentação, pergunte ao seu médico se tem alguma vantagem em tomar algum suplemento anti-oxidante. Há excelentes opções de origem farmacêutica, mas tenha cuidado com a qualidade do suplemento. E, por favor, não confie cegamente naquele chavão do “é natural”. Nem sempre é uma boa escolha… E, para além da alimentação e dos suplementos (quando recomendados), o exercício é decisivo. Como já vimos atrás, o exercício se, por um lado, aumenta a produção de radicais livres de oxigénio, por outro esse aumento é largamente compensado pelo estímulo das baterias anti-oxidantes tornando o nosso organismo mais protegido. Lembre-se que se não fizer nada contra o stress oxidativo, o desequilíbrio vai acentuar-se para o lado pior… Tente contrariar esta tendência!

3. Declíneo das nossas defesas. Vamos envelhecendo e vamos ficando mais susceptíveis a resfriados, gripes, etc. Isto porque as nossas defesas (o sistema imunitário) vão-se tornando mais fragilizadas Para além disso, também vamos ficando mais “inflamados”. Quero dizer, que todos temos um estado de inflamação natural que está, normalmente, sob controlo. Ora a idade, mais uma vez, vai desequilibrando o sistema e a inflamação começa a ganhar a guerra à anti-inflamação… e o resultado é aumento do risco de doenças típicas da população mais envelhecida como sejam as infecções respiratórias. Uma constipação que quando tínhamos 30 anos passava ao fim de 3 ou 4 dias, aos 70 pode complicar-se e tornar-se um problema. É a idade, meu caro!

O QUE FAZER: Mais uma vez, gerir o stress, alimentar-se com alimentos reduzidos em gordura e ricos em vitaminas e minerais e… exercício. É um dos mais potentes imunoestimuladores. Mexa-se que as suas defesas agradecem.

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