Exercício e hipertensão arterial

Estima-se que em Portugal existam cerca de 2 milhões de hipertensos. Destes, apenas metade tem conhecimento que sofre dessa doença, um quarto está medicado e apenas 16% estão controlados. Números impressionantes! Mais impressionante se torna quando se conhece o enorme peso da hipertensão arterial (HTA) nos factores de risco de acidente cardiovascular.

Algumas questões importantes sobre esta doença e sobre o papel do exercício na prevenção e tratamento.

1. O que é HTA?

A HTA corresponde às situações em que se verificam valores de tensão arterial aumentados. Ou seja, para a pressão sistólica valores iguais ou superiores a 140 mm Hg (milímetros de mercúrio) e/ou valores de tensão arterial diastólica superiores a 90 mm Hg.

2. Quais as causas?

Na maioria dos casos a causa é desconhecida. A hereditariedade e a idade são, todavia, dois factores com muita influência. Se tem pais hipertensos, a probabilildade de vir a ser um hipertenso aumenta substancialmente. No que se refere à idade, cerca de 2/3 das pessoas acima dos 65 anos são hipertensas.

3. Quais são os factores de risco?

  • Obesidade;
  • Consumo exagerado de sal e de álcool;
  • Sedentarismo;
  • Má alimentação;
  • Tabagismo;
  • Stress.

4. Como podemos prevenir a HTA?

É aqui neste ponto em que o exercício assume um papel importante, seja actuando directamente (baixa a pressão após exercício…)., seja indiretamente (por exemplo, ao reduzir o peso…).

Antes de mais, algumas medidas fundamentais:

  • Redução da ingestão de sal (não esquecer que não é só no sal que colocamos na comida, mas, acima de tudo, nos alimentos que ingerimos e são ricos em sal – pão, queijo, fiambre, etc.);
  • Preferência por uma dieta rica em frutos, vegetais e com baixo teor de gorduras saturadas;
  • Consumo moderado do álcool;
  • Cessação do hábito de fumar;
  • No caso dos indivíduos obesos é aconselhável uma redução de peso.
  • E…

Exercício físico regular

O que sabemos sobre o exercício e HTA?

•       O exercício baixa a pressão arterial (PA) tanto nas pessoas que têm PA normal (normotensos) como nos hipertensos

•       Exercício aeróbico de intensidade ligeira a moderada:

–      Faz baixar a PA sistólica em 3.4 – 10.5 mmHg

–      Faz baixar a PA diastólica em 2.4-7.6 mmHg

–      Efeito observado em medição casual e comprovado na monitorização ambulatória diurna

•       Nos hipertensos a mortalidade baixa 13% por cada aumento de 1 MET* (medida de actividade física)

•       Nos pré-hipertensos a mortalidade reduz-se 18% (menos de 60 anos) e 12 % (mais de 60 anos) por cada aumento de 1 MET. Ou seja, quanto mais actividade, dentro de limites razoáveis, mais observáveis são os efeitos.

•       O treino da força muscular tem também efeitos benéficos na HTA

•       Cuidado a ter:

–      Programa validado pelo médico assisente no caso dos hipertensos

–      Verificar se há doenças associadas à HTA (o risco pode estar não no facto de ser hipertenso mas por ter o colesterol elevado ou ser obeso…);

–      Ter atenção à medicação usada. Pode interferir na capacidade de esforço e na sua avaliação (por exemplo, há medicamentos que ao baixarem a frequência cardíaca podem “mascarar” a fadiga sentida e medida);

–      Parar sempre que sente: dor no peito, dispneia (falta de ar), palpitações ou sensação de desconforto generalizado.

Como vê, o exercício para além de ajudar a prevenir a HTA, pode também ser um excelente parceiro no controlo da doença ou como coadjuvante terapêutico em parceria com os fármacos. Por isso se diz que o exercício é um meio não farmacológico de tratamento da HTA. E barato!

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